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Arrábida “serra-mãe” há 80 anos (4)

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  Serra da Arrábida Por meados de Setembro de 1945, Sebastião da Gama era apresentado ao crítico João Gaspar Simões (1903-1987), a quem foi entregue o esboço de Serra-Mãe para apreciação, conforme o poeta relatava à amiga Matilde Rosa Araújo, em carta de 20 desse mês: “Fui ontem apresentado ao Gaspar Simões. Simpático, gordo, baixo. Cabelos à Bocage. O Pedro de Andrade quis que ele lesse o livro. A edição é caríssima e quer ter quem o anime a arriscar. Espero que Sua Excelência não torça o nariz.” Não conhecemos a opinião de Simões sobre o que poderia ser a estreia de Gama; mas podemos imaginá-la se lermos o que, em 1951, o mesmo Gaspar Simões escreveu sobre a publicação do terceiro livro de Sebastião, não apresentando opinião muito favorável sobre a anterior obra do poeta de Azeitão: “o autor de Campo Aberto , que, antes de escrever e publicar os versos deste livro escrevera e publicara versos muito diferentes, (...) procurando ser inspiradamente moderno, confundia a inspiração...

Portugal, Pioneiro do Planeta-Oceano. O Sonho do Pastor. O Anúncio

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Imagem de Eduardo Carqueijeiro   Portugal,  Pioneiro  do Planeta-Oceano No ano de 1942, em plena II Guerra Mundial, um notável jurista alemão, Carl Schmitt, que, infelizmente, mancharia toda a sua longa vida pelo apoio espúrio ao regime hitleriano, ofereceu à sua filha Anima um profundo ensaio: “Terra e Mar. Breve Reflexão sobre a História Universal” (tradução portuguesa de A. Franco de Sá, Esfera do Caos, 2008). Schmitt segue Ernst Kapp, recordando como a água é o elemento-chave na representação de três grandes épocas da História: um périplo que vai das culturas fluviais, passando pelas culturas talassocráticas, limitadas a mares fechados como o Mediterrâneo, em direcção às culturas oceânicas. Só nestas, o elemento hídrico ganha independência e se pode contrapor verdadeiramente ao elemento terrestre. Foram os Europeus quem compreendeu, aprendeu e soube utilizar a especificidade do Mar. Mas quem de entre os Europeus? Nesta questão decisiva, Carl Schmitt tem dificuldade ...

A Boneca de Natal e mil outras imagens e histórias natalícias

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  Nos idos de 40 do século passado, quando a minha mãe era petiz, era costume serem distribuídos brinquedos pelo Natal na Igreja da aldeia. Todos os anos a minha mãe sonhava com uma boneca como as que já vira em Natais anteriores nas mãos das meninas da sua idade que faziam parte de um estrato social mais elevado... mas ela tinha sempre esperança que naquele Natal é que seria a sua vez de segurar e apertar contra o peito uma daquelas bonecas com vestidos lindos e cabelos compridos e sedosos. Chegou mais um Natal. A minha mãe teria uns oito, nove anos, As crianças ocupavam os bancos da frente na Igreja. A certa altura as senhoras começaram a chamar algumas crianças pelo nome. A respectiva criança levantava-se, caminhava até à estátua de Jesus Cristo, benzia-se e recebia uma boneca encantadora das mãos das ditas senhoras da Igreja. E chamavam uma, mais uma, mais outra e mais outra, todas as meninas filhas dos senhores da terra daqueles que tinham casas grandes no centro da aldei...