Um mundo cheio de anémonas: luz e sombra na pintura de Eduardo Carqueijeiro
Um mundo cheio de anémonas
A partilha dos ventos
O olho de Guernica, de novo
A dança (segundo Matisse) e A lua de Magritte no meu sobreiro
A deriva dos continentes
O mundo de Paula Rego e Os lírios de Van Gogh
Um novo arco
Eduardo Carqueijeiro, artista nas horas vagas. Natural de Setúbal,
formou-se em arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, frequentou
a AR.CO Lisboa-pintura e gravura e a Slade School of Art e Central St. Martins College
of Art & Design. Concilia a sua experiência profissional em ambiente, com a
sua prática artística através duma fusão entre arte e ciência, do qual tira
partido nas suas exposições, performances, trabalho de ilustração e curadorias.
Interliga como um todo narrativo a pintura em acrílico, a fotografia, a
colagem, a instalação, a música e o vídeo.
Site: http://eduardocarqueijeiro.com/
Instagram: https://www.instagram.com/edca_creativity/
Arrábida
“serra-mãe” há 80 anos (6)
João Reis Ribeiro
Entre os leitores que escreveram a
Sebastião da Gama a propósito do seu primeiro livro, Serra-Mãe, contam-se também os testemunhos de Hernâni Cidade
(1887-1975), António Botto (1897-1959) e Bertil Maler (1910-1980). Em carta
datada da “Ante-véspera de Natal de 1945”, Cidade (que também foi professor do
jovem poeta) reagia, logo após a leitura do livro: “Agradeço-lhe a hora
gratíssima que me deu à alma. À alma, muito mais do que aos sentidos, que a sua
Poesia é toda tocada de transcendente e, em si, o folhado, como a maresia, como
tudo com que encanta os sentidos a sua Mãe-Serra, tudo acorda ressonâncias
fundas de alma eleita, da linhagem de Frei Agostinho, tão famintas de Infinito
que só pairando sabem cantar, como as cotovias.” Uns dias depois, em 5 de
Janeiro, era o poeta António Botto que enviava curta mensagem, a exigir mais do
escritor que se iniciara: “Este seu pequeno volume de versos podia ser, se você
quisesse, uma verdadeira grinalda de Poeta! Há umas notas muito bonitas, mas um
propósito tão acentuado de brincadeira ou ironia, que parece uma rapaziada à
margem dessa divina arte maravilhosa!...” Também o hispanista sueco Maler (que
publicou estudos sobre literatura portuguesa), em 21 de Agosto de 1946, cerca
de um mês depois de regressar de Lisboa a Estocolmo, enviava missiva para
Sebastião da Gama, dizendo-lhe que lera o seu livro durante o período de
descanso da viagem, fora da capital — “Li e reli os seus belos poemas. Não se
devem ler no barulho das capitais, é a solidão da serra - que muito se parece
ao campo sueco - que lhes convém.” E acrescentava: “A leitura do seu livro
deu-me um verdadeiro prazer. Não só um prazer estético causado pela beleza da
forma e do ritmo, mas ainda um prazer emocional. (...) A simplicidade sublime -
algumas linhas até me deixaram uma impressão como se estivesse a ler os
salmistas -, o sentimento da Natureza, a profunda religiosidade, eis o que retenho
dos seus poemas.”
Além das opiniões chegadas via epistolar, a imprensa foi um meio
importante para a divulgação de Serra-Mãe,
quase desde o momento em que apareceu — saído o livro em 18 de Dezembro de
1945, a recepção crítica manteve-se a um ritmo constante até Outubro do ano
seguinte. Logo dois dias depois do seu aparecimento, Álvaro Salema (1914-1991),
no Jornal do Comércio, na rubrica
“Horizonte”, dizia da obra que vinha “revelar
ao nosso estreito meio literário uma personalidade vigorosa de lírico e de
místico, arrebatado em visões interiores e em ansiedades que constituem riqueza
profunda de uma alma”, apresentando como sendo “um notável poeta este moço de
alma perturbada, talento literário de forte inspiração, inquieto pesquisador de
imagens.” Salema voltaria a escrever sobre o livro na Vida Mundial Ilustrada, em 10 de Janeiro seguinte, afirmando que
“Sebastião da Gama é, inegavelmente, um artista de grandes possibilidades”,
embora “o esplêndido ritmo de que se mostra capaz” se quebre “inutilmente,
muitas vezes, por exageros de modernidade formal que pouco significam”.
O mês de Dezembro de 1945 viu mais duas
notas de leitura a propósito de Serra-Mãe
— sob o título “Carta ao Poeta Sebastião da Gama”, Luís Filipe Lindley Cintra
escrevia no Diário Popular (26 de
Dezembro): “Tu sabes que discordei do título do teu livro. Hoje arrependo-me.
Fizeste bem em conservá-lo. Era preciso que todos soubessem que o Poeta em ti
nasceu da Arrábida, dessa Arrábida de que tu fazes parte, que eu não posso
conceber sem ti. (…) A Serra existe para ti como tu existes para a Serra. Tinha
de ser assim.”; e, quase a terminar o ano, em 29 de Dezembro, José Noronha
Gamito (1922-2011) apreciava no periódico setubalense A Indústria: “Em Sebastião da Gama, quando o tom descritivo aparece
não é já aquele descritivo com fulcro no exterior, aquela conformidade primária
com a perspectiva que obriga à narração daquilo que está patente aos olhos do
corpo, mas antes o especial descritivo interior, que se desenvolve inteiramente
sobre aquela outra paisagem íntima, subjectiva, complexo pessoal de imagens,
sentimentos e ideias. (…) Sebastião da Gama descreve-nos a Arrábida espiritual,
subjectiva, gigantesca e especial na intimidade de cada homem que sabe pensar o
que vê.”
Nota da redacção: O Blogue Synapsis leva ao seu público, nesta edição, a sexta crónica de João Reis Ribeiro publicada no espaço de opinião "500 Palavras" do jornal "O Setubalense", em 14 de Janeiro de 2026. A crónica tem por título "Arrábida 'serra-mãe' há 80 anos (6)". Nas próximas edições do blogue Synapsis, acompanharemos a publicação deste importante documento sobre o Poeta da Arrábida.
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Ana Moura no Fórum Luísa Todi
A cantora Ana Moura vai actuar no Fórum Cultural Luísa Todi na próxima
sexta-feira, dia 30 de Janeiro, às 21 horas. Dona de uma carreira notável
e com o desejo de explorar sempre algo novo, Ana Moura lançou em 2022 o seu
sétimo álbum de estúdio, 'Casa Guilhermina'. Este trabalho marcou o
renascimento de uma artista plural e inovadora, que Portugal e o mundo
aprenderam a amar e aplaudir. Em 'Casa Guilhermina', Ana Moura
assumiu pela primeira vez a responsabilidade pela escrita das suas próprias
canções, entregando à sua voz aquilo que sente e escreveu com as suas próprias
mãos.
Coro Lisboa Cultura no Teatro Romano, em Lisboa
A 'Hora de Baco' é um evento que se realiza todas as últimas
quintas-feiras de cada mês no Museu da Cidade - Teatro Romano, em Lisboa. No
evento da próxima quinta-feira, dia 29 de janeiro, às 18 horas, o destaque
vai para a apresentação do Coro Lisboa Cultura, sob a direcção do maestro Luís
Almeida. Serão apresentadas peças musicais de diferentes tipologias e origens
geográficas. O Teatro Romano situa-se na Rua de São Mamede, em Lisboa, e a
entrada para este evento é gratuita.
Conferência 'A Arquitectura do Cuidado'
O Âmbito Cultural do El Corte Inglés e o jornal Mensagem de Lisboa
organizam a conferência 'O Amor Pelos Outros: a Arquitetura do Cuidado', pelo
arquitecto e urbanista Tiago Mota Saraiva, que se realiza no dia 29 de
janeiro, pelas 18h30, na Sala de Âmbito Cultural do El Corte Inglés de Lisboa.
A mentora destas conversas é Catarina Carvalho, jornalista fundadora e diretora
da 'Mensagem de Lisboa'. Nesta conferência o orador vai tentar responder a
questões como: Os espaços da cidade podem ser criados de forma a cuidar
das pessoas? Como é que podem favorecer o amor e o encontro? É o que acontece
agora? Como se constroem cidades com empatia?
A entrada é gratuita mas requere inscrição em https://www.elcorteingles.pt/ambitocultural/o-amor-pelos-outros-a-arquitetura-do-cuidado-119812/?view=1&fbclid=IwY2xjawPi4PxleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFWWVA3ZlhVYXZBQnNyUktLc3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHm-aHoHCHerKQUU8gS6Puvu6pfrflve4TouTziHGT24_Dgl987rqRbAt-yRI_aem_nTGgtQlokL3Orjrm9cLKVw
Coordenação Editorial de Salvador Peres e José Alex Gandum
Textos: João Reis Ribeiro e José Alex Gandum
Imagens: Eduardo Carqueijeiro, José Alex Gandum e Salvador Peres
Imagem de capa: José Alex Gandum
Edição de Salvador Peres



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