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Arrábida “serra-mãe” há 80 anos (8)

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  Em 5 de Março de 1946, no jornal Diário da Manhã , João Ameal (1902-1982) iniciava assim a sua coluna “Rumos do Espírito - As Ideias e os Autores”: “A todo o momento ouvimos dizer que na vida moderna há cada vez menos lugar para os poetas. Terá razão quem o afirma? Vive o Mundo, nesta hora, entre receios e desconfianças. Vive, também, sob o signo dos ódios desencadeados pelo imenso fratricídio que há pouco terminou — e sob a opressão de uma paz inquieta, cheia de perspectivas alarmantes.” Este arranque é intenso no seu lamento e na sua esperança — a Guerra Mundial acabara meses antes e tornava-se nítida a procura da pacificação e a valorização da humanidade. Mas este introito servia também para Ameal chegar ao principal do que pretendia dizer: apresentar um novo poeta, Sebastião da Gama, através do seu primeiro livro, Serra-Mãe . E a primeira observação é de simpatia — “Sente-se que vive na montanha, mas na montanha em frente do mar - porque se conjugam, na sua sensibilidade, a f...

Aldeias de Azeitão - Por caminhos raramente caminhados

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  "Canta o Sol que tens na alma, és a flor de ser feliz..." o refrão da canção interpretada há exactamente 55 anos no Festival RTP da Canção, por Paulo de Carvalho, definia o amanhecer de um Domingo finalmente soalheiro e com flores a despontar pelos campos e serranias a perder (se calhar a ganhar!) de vista. Finalmente, a Caminhada Synapsis a partir da Aldeia da Portela, na Arrábida, adiada algumas vezes devido às intempéries que assolaram Portugal nas últimas semanas, ganhava contornos de convívio e descobertas. E poucos dos caminhantes sabiam da existência de aldeias quase perdidas entre Azeitão e Sesimbra, bem escondidas e desenhadas entre ruas, estradas e muros com muita história. Aldeias tão escondidas que até os GPS tinham dificuldade em auxiliar os caminhantes. Mas tudo se resolveu, a contento dos passos por percursos apenas partilhados com ciclistas de montanha e quintas misteriosas ao longo de caminhos de terra batida. Ao longe, os contornos e a magia dos maciços da...

Carlos de Medeiros - A autorrepresentação como elemento ficcional

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  A fotografia de Carlos de Medeiros é indissociável do seu trabalho enquanto actor, em cerca de três dezenas de peças e quatro filmes. O teatro e o cinema fizeram-no viver personagens, sentir a leitura de forma diferente, explorar o que fica para além das palavras. A Gaivota , de Tchekov, que representou o tetro no início da sua carreira, marcou-o de forma peculiar. Nos trabalhos que expõe nesta sua última exposição, Turdus Merula , a designação científica do melro-preto, as asas dos pássaros, esse instrumento de liberdade que os homens procuraram durante séculos replicar, são elementos presentes no seu imaginário e uma constante da sua vida: nos Açores, onde nasceu e que visita com frequência e na Azóia, junto ao Cabo Espichel, onde se refugia muitas vezes. No portefólio que se apresenta aos nossos leitores, constam algumas fotografias dessa exposição, inspirada num texto dos Contes Cruels de Octave Mirabeau, Les Corneilles (Os Corvos). É curioso notar que, no Teatro, sendo a...