Os infinitos azuis do Sado
Uma nuvem alta sobrevoa o céu diáfano e uma brisa suave sopra uma fresca aragem de noroeste sobre o dédalo avermelhado dos telhados dos bairros velhos da cidade. Na face espelhada do rio reluz uma miríade de diamantes, que cintilam e rebrilham numa reflexão límpida e cristalina. O rio, sedento da sua amada foz, vem subindo, alongado e sinuoso, desde as altaneiras montanhas algarvias, galgando barrancos alentejanos, vagabundeando por entre verdes arrozais, na busca do ansiado mergulho na frescura da imensidade marítima. Na frente côncava da cidade, a beira-rio, como num passe de magia, transmuda-se em beira-mar, fundindo-se com o oceano numa variada e infinda paleta de azuis. A água, que ora flui, ora reflui, na eterna dança das marés, lambe docemente as muralhas do porto e cria redemoinhos espiralados de alva espuma de encontro ao areal dourado das praias. Este rio, que contraria azimutes e latitudes e vem correndo, discreto e silente, de sul para norte, e que vai encorpando as á...