Arrábida “serra-mãe” há 80 anos (8)
Em 5 de Março de 1946, no jornal Diário da Manhã , João Ameal (1902-1982) iniciava assim a sua coluna “Rumos do Espírito - As Ideias e os Autores”: “A todo o momento ouvimos dizer que na vida moderna há cada vez menos lugar para os poetas. Terá razão quem o afirma? Vive o Mundo, nesta hora, entre receios e desconfianças. Vive, também, sob o signo dos ódios desencadeados pelo imenso fratricídio que há pouco terminou — e sob a opressão de uma paz inquieta, cheia de perspectivas alarmantes.” Este arranque é intenso no seu lamento e na sua esperança — a Guerra Mundial acabara meses antes e tornava-se nítida a procura da pacificação e a valorização da humanidade. Mas este introito servia também para Ameal chegar ao principal do que pretendia dizer: apresentar um novo poeta, Sebastião da Gama, através do seu primeiro livro, Serra-Mãe . E a primeira observação é de simpatia — “Sente-se que vive na montanha, mas na montanha em frente do mar - porque se conjugam, na sua sensibilidade, a f...