Carlos de Medeiros - A autorrepresentação como elemento ficcional
A fotografia de Carlos de Medeiros é indissociável do seu trabalho enquanto actor, em cerca de três dezenas de peças e quatro filmes. O teatro e o cinema fizeram-no viver personagens, sentir a leitura de forma diferente, explorar o que fica para além das palavras. A Gaivota , de Tchekov, que representou o tetro no início da sua carreira, marcou-o de forma peculiar. Nos trabalhos que expõe nesta sua última exposição, Turdus Merula , a designação científica do melro-preto, as asas dos pássaros, esse instrumento de liberdade que os homens procuraram durante séculos replicar, são elementos presentes no seu imaginário e uma constante da sua vida: nos Açores, onde nasceu e que visita com frequência e na Azóia, junto ao Cabo Espichel, onde se refugia muitas vezes. No portefólio que se apresenta aos nossos leitores, constam algumas fotografias dessa exposição, inspirada num texto dos Contes Cruels de Octave Mirabeau, Les Corneilles (Os Corvos). É curioso notar que, no Teatro, sendo a...