Alberto Pereira premiado em Salvador da Bahia

 


O teatro Walter Silveira, em Salvador da Bahia, foi palco da entrega dos prémios Finisterra Brasil Film Art & Tourism Festival 2026.

Alberto Pereira foi distinguido com dois prémios: "Memories of Stone and Faith - Memórias de Pedra e Fé", na categoria de Best Religious Tourism Film e "Pataxó, People of the Land - Pataxó - Povos da Terra", na categoria de Best Brazilian Tourism Film.

"Memories of Stone and Faith - Memórias de Pedra e Fé" retrata as vivências do Convento do Varatojo, em Torres Vedras. Mais do que um espaço religioso, este convento franciscano é um guardião de memórias, tradições e modos de vida que desafiam a pressa do mundo moderno. Uma viagem íntima e contemplativa ao coração de lugares onde o silêncio fala e a história respira, ao ritmo do canto marcado pelo sino, que se repete desde a Idade Média.



"Pataxó, People of the Land - Pataxó - Povos da Terra" retrata os Pataxó, um povo indígena do sul da Bahia, conhecido pela sua rica cultura e forte ligação com a natureza. Apesar da quase perda da sua língua original, há esforços para revitalizá-la. Também se destacam pelo artesanato tradicional e pela luta contínua pela preservação das suas terras e identidade cultural.



Em nota enviada à Redacção do blogue Synapsis, Alberto Pereira declarou: “Ver o meu trabalho ser reconhecido além-fronteiras, do outro lado do Atlântico, é motivo de enorme orgulho e uma recompensa muito especial por todo o caminho percorrido. Ao júri do Finisterra Brasil Film Art & Tourism Festival 2026 deixo o meu mais sincero agradecimento pela atribuição de mais dois prémios a dois dos meus filmes. É uma distinção que muito me honra e que recebo com enorme gratidão. A todos os que me acompanham, apoiam e incentivam ao longo deste percurso, o meu muito obrigado”.

Alberto Pereira tem vindo a desenvolver um extenso trabalho cinematográfico, com destaque para os filmes “A Serra de Agostinho”, que traz Frei Agostinho da Cruz para os nossos dias numa revisitação à Arrábida, 400 anos depois da sua morte; “Itinerário – o meu caminho até Sebastião da Gama”, que parte à descoberta do Poeta de Serra-Mãe e “Dias de Silêncio”, uma parábola filosófica sobre o significado do caminhar.

 

Salvador Peres






Exposição de Nuno David encerra com workshop de pintura

 

A exposição "Lugares da Poesia", de Nuno David, encerrou, no passado dia 26 de Setembro, com um workshop de pintura animado pelo pintor.

A exposição, uma mostra de trabalhos em aguarela, esteve patente ao público na Casa Memória Joana Luísa e Sebastião da Gama, em Azeitão, desde o dia 13 de Junho.





Nuno David nasceu em Angola em 1950, mas vive em Setúbal. É engenheiro agrónomo e foi técnico do Parque Natural da Arrábida. Colaborou na construção de uma oficina de arte, onde a permuta de ideias e técnicas o alicerçou e entusiasmou até hoje. Expôs individualmente em Angola e tendo vindo a participar em inúmeras exposições individuais e colectivas em Portugal e no estrangeiro.

Na sua pintura utiliza os mais diversos materiais e técnicas como óleo à espátula e pincel, acrílico e pastel, mas é sobretudo na aguarela que mais gosta de se exprimir.

 

Salvador Peres



'Cadavre Exquis - Fotografar em Continuidade'

 

Foi inaugurada no passado dia 26 de setembro a Exposição de Fotografia 'Cadavre Exquis - Fotografar em Continuidade', que conta com a colaboração do synapsiano José Alex Gandum e é baseada no livro lançado em maio passado no Museu do Design com o mesmo título. A Exposição conta com 78 artistas ou pessoas ligadas às artes, como Sérgio Godinho, José Eduardo Agualusa, João Pinharanda, o cartoonista Luís Afonso ou a maior parte dos mais conhecidos fotógrafos portugueses, como Alfredo Cunha ou Rui Ochoa. 



A Exposição tem a curadoria do designer Jorge Barbosa, do jornal Público, e foi apresentada pelo médico cirurgião António Travassos, que fez uma relação entre o que a retina humana vê e a fotografia. Vai estar patente na Fundação Cupertino de Miranda em Famalicão, até Fevereiro de 2027.

 




Homenagem ao Professor Galopim e a Fátima Ribeiro de Medeiros

 

No passado dia 15 de Setembro, Dia de Bocage em Setúbal, foram homenageados o Professor Galopim de Carvalho e a synapsiana Fátima Ribeiro de Medeiros, ambos por trabalhos ou dedicação à cidade sadina.

A cerimónia decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal e foi presidida pela Presidente da autarquia em exercício Maria do Carmo Tiago, e por Joaquina Soares e Maria Helena de Mattos, dirigentes da Liga de Amigos de Setúbal e Azeitão (LASA), entidade responsável pelas respectivas homenagens.




No evento também foi revelada a vencedora do Prémio de Poesia 2026 promovido pela mesma entidade, e a galardoada foi Cláudia Gigante. O júri desta distinção foi constituído por Sérgio Fonseca, Sara Loureiro e Isabel Melo. 

 

José Alex Gandum

 


 


Relatório circunstanciado da situação caótica em que se encontrava a

Fábrica de Ventoinhas e Aquecedores de Caldas de Alijó

 

 Exmos. Senhores Gerentes,

Cheguei à Fábrica cerca das onze horas. À porta, completamente bêbedo, encontrei o Zulmiro, o guarda da Fábrica. Ao perguntar-lhe pelo Mestre, disse-me que não estava: tinha ido esperar uma prima (que já não via há vários dias) à estação de caminhos-de-ferro. O Contramestre, segundo me foi relatado, tinha ido à latrina na semana passada e ainda não voltara. Perguntei, então, pelos oficiais dos diversos ofícios. Foi-me dito que um estava com baixa desde a sua admissão na Fábrica; outro, estava na Fábrica, mas ninguém sabia onde; outro ainda, fora requisitar pregos ao armazém e já lá iam seis semanas sem que tivesse regressado; o companheiro deste último estava parado há seis semanas, esperando os pregos que nunca mais vinham; por último, um outro, esperava pacientemente à porta da latrina que o Contramestre saísse para se aliviar de uma necessidade inadiável. Os Ajudantes estavam todos parados à espera dos respectivos oficiais.

Dos dois contínuos existentes, um, andava à procura do oficial que fora requisitar os pregos ao armazém; o outro, segundo informações, estava a bater à porta da latrina, apressando o Contramestre para ceder o lugar ao oficial que precisava de se aliviar de uma necessidade inadiável. Dos cinquenta Aprendizes de que dispunha a Fábrica, dez tinham ido almoçar; quinze estavam suspensos por desmazelo e má conduta; vinte tinham-se esquecido de ir trabalhar; três eram imbecis ou preguiçosos; um outro fora ajudar a descarregar as mobílias da prima do Mestre que, segundo informações, não a via ia já para vários dias; finalmente, o último, raptara a telefonista, com quem, entretanto, tinha contraído matrimónio. Das sessenta empregadas da limpeza, vinte e duas estavam de férias; catorze estavam grávidas de oito meses; oito estavam a acabar o curso superior de Direito; onze namoriscavam com ajudantes, contínuos e aprendizes; cinco apresentavam sinais de depressão; três tinham ido limpar a casa da prima do Mestre que, segundo apurei, não a via há vários dias; finalmente, uma, esperava a saída do Contramestre da latrina para fazer a respectiva limpeza e desinfecção.

Notando tudo isto, dirigi-me à telefonista para que me fizesse uma chamada para os serviços centrais da empresa, em Lisboa, no intuito de colocar V. Exas. ao corrente da situação. Disse-me o Zulmiro que não valia a pena o esforço: a telefonista tinha sido raptada por um dos aprendizes, com o qual, entretanto, casara e já tivera três filhos: um rapaz, uma rapariga e outro nem uma coisa nem outra.

Perante tais factos, fiz tenção de me ir embora, mas avisou-me o Zulmiro que era escusado, pois já me haviam roubado a mula com que tinha vindo montado até à Fábrica. Perguntei se haveria algum autocarro ou comboio nos quais pudesse regressar a Lisboa. Fui informado que, autocarros, nem pensar, pois o único que havia, quando não estava avariado, andava sempre cheio e quando não estava cheio, era porque estava avariado. Quanto ao comboio, estava atafulhado com as mobílias da prima do Mestre que, coitado, já não a há vários dias. Disse-me também o Zulmiro que, quando não eram as mobílias da prima do Mestre, eram as greves que obrigavam o comboio a permanecer, dias a fio, na estação. Da última vez, estivera vinte e sete dias parado: sete a descarregar as mobílias da prima do Mestre; dez em greves sucessivas, ora do maquinista, ora dos factores, ora de ambos ao mesmo tempo; outros dez, entre sábados, domingos e feriados que, como toda a gente sabe, são dias de descanso.

Face à situação descrita, envio a V. Exas. o relatório circunstanciado da situação caótica em que se encontrava a Fábrica de Ventoinhas e Aquecedores de Caldas de Alijó e apresento a minha demissão. Ocorre que acabei por me cruzar com a prima que o Mestre não via há vários dias e apaixonei-me. Fico-me por Caldas de Alijó.

Leandro Leão, relator demissionário

Salvador Peres

Extraído de “O Relatório”, escrito em Setembro de 1983



FICHA TÉCNICA

Coordenação Editorial de Salvador Peres e José Alex Gandum

Textos: José Alex Gandum e Salvador Peres

Imagens: Alberto Pereira, André Mares, José Alex Gandum, Nuno David e Salvador Peres

 Imagem de capa: Nuno David

Edição de Salvador Peres

 










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